Primeiro dia do evento destacou aplicações de inteligência artificial em seguros, com foco em automação de processos, experiência do cliente e preparação das organizações para a transformação tecnológica.
A inteligência artificial está abrindo novas possibilidades para o mercado de seguros, desde a personalização de produtos até a automação de processos e o atendimento aos clientes. No entanto, transformar esse potencial em aplicações de negócio exige mais do que investir em novas tecnologias.
Esse foi um dos temas abordados no primeiro dia do CQCS Inovação 2026, realizado em 4 de novembro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. A Insi acompanhou as discussões e as soluções apresentadas durante o evento, que reuniu seguradoras, empresas de tecnologia e especialistas do setor.
Entre os destaques estiveram a evolução da IA para modelos mais autônomos, a integração de dados e sistemas e a importância de preparar pessoas e processos para essa transformação.
Da prevenção de riscos à resolução de sinistros com inteligência artificial
Durante a palestra IA na Allianz: Realidades, Reflexões e Caminhos a Seguir, Axel Schell, CTO da Allianz Technology, apresentou uma demonstração de como tecnologias conectadas e inteligência artificial podem transformar a jornada do seguro automotivo.
O exemplo começou com um modelo de seguro baseado no comportamento do motorista, conhecido como pay as you drive. Nesse cenário, dados sobre a condução, como acelerações e frenagens, são utilizados para compor uma pontuação de direção, que pode influenciar o valor pago pelo seguro.
A jornada avançou para uma situação de danos provocados por uma tempestade de granizo. A partir de informações coletadas por sensores, o sistema identificou danos no para-brisa, avaliou que o veículo não apresentava condições seguras para continuar circulando e iniciou uma interação com a motorista.
Na demonstração, a assistente virtual confirmou a cobertura do seguro, conduziu as etapas de comunicação do sinistro e organizou o envio de um guincho e de um veículo substituto. O sistema também considerou informações sobre a presença de cadeirinhas infantis no automóvel para personalizar o atendimento.
O exemplo ilustrou como a combinação entre sensores, dados, automação e inteligência artificial pode integrar diferentes etapas da jornada, reduzindo a necessidade de intervenções manuais e tornando a experiência mais fluida para o segurado.
Mais do que automatizar uma atividade isolada, a proposta demonstrou o potencial de conectar prevenção, identificação de riscos, atendimento e resolução de sinistros em um mesmo fluxo.
Por que a transformação com IA vai além da tecnologia?
Outro ponto destacado por Schell foi a diferença entre disponibilizar ferramentas de inteligência artificial e preparar uma organização para utilizá-las de forma estruturada.
Para ilustrar essa complexidade, o executivo apresentou uma divisão dos desafios da transformação com IA em três dimensões:
- 10% relacionados à tecnologia: ferramentas, softwares, modelos de linguagem e infraestrutura.
- 20% relacionados aos dados: disponibilidade, qualidade e preparação das informações necessárias para o funcionamento da IA.
- 70% relacionados a pessoas e processos: modelo operacional, governança, competências, gestão da mudança e redesenho das formas de trabalho.
A divisão, apresentada como uma representação dos desafios organizacionais, reforça que a adoção da IA não depende exclusivamente da capacidade tecnológica.
Nesse contexto, Schell também destacou a necessidade de desenvolver competências em inteligência artificial em diferentes áreas das empresas, disponibilizar ferramentas para experimentação e preparar os profissionais para trabalhar em conjunto com agentes inteligentes.
A evolução tende a exigir mudanças nos fluxos operacionais, na distribuição de responsabilidades e até na criação de novas funções.
IA agêntica e a evolução das operações de seguros
A aplicação de agentes de inteligência artificial também ganhou espaço entre as tecnologias apresentadas na área de exposição do CQCS Inovação 2026.
Entre os exemplos observados estavam interfaces de agentes voltados ao apoio a corretores, à orientação sobre seguros e ao atendimento de demandas relacionadas à saúde suplementar.
Outras propostas apresentadas no evento abordaram o uso de IA em processos de sinistros, incluindo etapas como comunicação de ocorrências, análise de informações e encaminhamento de solicitações.
Esses casos ilustram uma evolução importante: a inteligência artificial deixa de atuar apenas como ferramenta de consulta e apoio para participar de fluxos operacionais mais amplos, conectando informações e executando atividades conforme regras e objetivos definidos.
Para as seguradoras, essa evolução amplia as possibilidades de automação, mas também aumenta a importância da integração entre sistemas, da qualidade dos dados e da definição de mecanismos de governança.
A transformação exige uma evolução gradual
Durante sua apresentação, Schell também abordou a adoção de IA a partir de três estágios: crawl, walk, run, ou engatinhar, caminhar e correr.
A abordagem representa uma evolução progressiva das capacidades organizacionais, na qual as empresas desenvolvem experiência, ajustam processos e ampliam gradualmente a utilização da tecnologia.
Isso significa que a adoção de agentes mais autônomos não acontece de forma isolada. Ela depende da preparação dos ambientes tecnológicos, do aprendizado das equipes e da capacidade de integrar novas soluções às operações existentes.
Para empresas do setor de seguros, que frequentemente precisam conectar diferentes plataformas, sistemas legados e processos críticos, essa preparação é especialmente relevante.
A modernização tecnológica, a integração de dados e a revisão dos processos passam, portanto, a fazer parte da base necessária para ampliar o uso da inteligência artificial.
O futuro dos seguros depende da conexão entre tecnologia e negócio
As discussões do primeiro dia do CQCS Inovação 2026 evidenciaram que o avanço da inteligência artificial no mercado segurador está cada vez mais relacionado à sua aplicação em processos específicos do negócio.
A possibilidade de conectar dados de veículos, identificar ocorrências, automatizar etapas de sinistros e apoiar profissionais do setor demonstra como a tecnologia pode contribuir para transformar a experiência dos segurados e a operação das empresas.
Ao mesmo tempo, essas aplicações reforçam a necessidade de uma abordagem que considere a realidade de cada organização, sua infraestrutura tecnológica, seus processos e as pessoas envolvidas.
Para a Insi, que atua na evolução digital das empresas, esse cenário reforça a importância de conectar estratégia, tecnologia e capacidades humanas para ajudar organizações a evoluir de acordo com seus desafios e objetivos de negócio.
O CQCS Inovação 2026 continua em 5 de novembro, com discussões sobre os caminhos da inovação e da transformação tecnológica no mercado de seguros.



