A Insi esteve em Berlim acompanhando o SAP TechEd 2026, evento da SAP voltado especialmente à comunidade de tecnologia, desenvolvimento e inovação.
Ao longo da programação, uma mensagem esteve presente em praticamente todas as discussões: a inteligência artificial está deixando de atuar apenas como apoio pontual para assumir um papel cada vez mais integrado aos processos, dados e sistemas empresariais.
O que mais chamou atenção no TechEd foi ver como a IA aparece em praticamente todas as frentes do ecossistema SAP. Não se trata mais apenas de adicionar inteligência a uma solução, mas de conectar agentes, dados, processos e governança para que a IA consiga atuar de forma mais integrada dentro das empresas. Destaca Altieri - Líder de Pré-vendas Insi.
Os anúncios apresentados pela SAP reforçaram a evolução da estratégia de Autonomous Enterprise, com avanços em Joule, agentes de IA, interoperabilidade, governança e dados empresariais. A proposta é criar um ambiente em que inteligência artificial e pessoas possam atuar de forma coordenada sobre processos corporativos, com mais contexto, autonomia e controle.
Da IA assistiva para fluxos cada vez mais autônomos
Um dos principais movimentos apresentados no SAP TechEd foi a evolução da IA para além da geração de respostas ou recomendações.
Com o conceito de agentic thinking, a SAP busca permitir que assistentes e agentes consigam planejar e orquestrar diferentes etapas necessárias para executar fluxos de trabalho corporativos mais complexos.
Essa evolução está concentrada principalmente em soluções como Joule Work, Joule Studio e SAP Business AI Platform, que passam a oferecer uma base para construir, contextualizar e governar agentes de IA em ambientes SAP e de terceiros.
Agentes que conversam entre si
Outro destaque foi a interoperabilidade entre agentes.
Com protocolos como Agent2Agent (A2A) e Model Context Protocol (MCP), agentes de diferentes plataformas poderão compartilhar contexto e colaborar na execução de atividades.
Na prática, isso significa que um agente pode identificar uma necessidade, buscar informações em outro sistema ou acionar outro agente especializado antes de continuar um fluxo de trabalho.
A SAP também anunciou** mecanismos para permitir essa colaboração de forma governada**, mantendo controle sobre quais agentes podem acessar informações ou executar determinadas ações.
Governança ganha ainda mais importância
Quanto maior a autonomia da IA, maior também a necessidade de controle.
Nesse contexto, a SAP apresentou o SAP Enterprise AI Gateway, que centraliza autenticação, políticas de acesso, roteamento, monitoramento, acompanhamento de uso e auditoria das interações com IA.
Outros recursos anunciados, como o SAP AI Agent Hub e o AI Governance Assistant, reforçam esse movimento ao criar mecanismos para acompanhar agentes, modelos e requisitos de compliance dentro das organizações.
A mensagem é clara: escalar IA corporativa não depende apenas de aumentar sua capacidade de execução, mas também de garantir rastreabilidade, segurança e governança.
Dados confiáveis para agentes mais inteligentes
Outro eixo importante do TechEd foi a evolução da infraestrutura de dados.
A SAP reforçou o papel do SAP Business Data Cloud (SAP BDC) como base para conectar informações, processos, semântica e políticas, permitindo que agentes de IA tenham acesso ao contexto necessário para interpretar melhor como uma organização funciona.
Dentro dessa estratégia, o SAP Knowledge Graph ajuda a estabelecer relações entre dados e processos de negócio, permitindo respostas mais contextualizadas e decisões mais precisas.
A SAP também anunciou novas capacidades de lakehouse e data fabric, com tecnologias como Apache Iceberg, Apache Polaris e Dremio, além da ampliação da integração com Databricks. A proposta é facilitar o acesso a dados distribuídos sem exigir múltiplas cópias ou novos silos de informação.
IA aplicada também a dados estruturados
Entre as demonstrações apresentadas no evento, uma das que mais chamou atenção foi o avanço dos modelos de IA voltados a dados tabulares.
A SAP destacou o RPT-2, modelo capaz de** trabalhar com dados estruturados para realizar previsões em cenários como riscos de pagamento, atrasos de entrega e manutenção preditiva**.
Como demonstração dessa tecnologia, a SAP anunciou sua aplicação a bordo da Estação Espacial Internacional, em conjunto com infraestrutura da HPE, para análise de telemetria, identificação de anomalias e previsão de possíveis falhas.
O exemplo reforça uma tendência importante: a IA empresarial não está limitada aos modelos de linguagem. Dados transacionais e estruturados também ganham uma camada de inteligência cada vez mais sofisticada.

O que levamos do SAP TechEd Berlin 2026
Para quem acompanhou o evento de perto, ficou evidente que a IA deixou de aparecer como um tema isolado dentro do portfólio SAP.
Ela esteve conectada a praticamente todas as frentes apresentadas: desenvolvimento, integração, dados, automação, governança e evolução das aplicações.
Mais do que novos recursos, o SAP TechEd mostrou uma mudança na forma como a tecnologia é pensada. A discussão deixa de ser apenas sobre onde aplicar inteligência artificial e passa a envolver como criar uma arquitetura capaz de fazer agentes, dados, processos e pessoas trabalharem juntos com segurança e contexto.
Para a Insi, acompanhar essa evolução de perto é fundamental para transformar os avanços apresentados pela SAP em discussões concretas sobre arquitetura, modernização e aplicação de IA nos ambientes dos nossos clientes.



