O South Summit Brazil 2026 já começou em Porto Alegre reunindo lideranças, empresas, investidores e especialistas para discutir os rumos da inovação, da tecnologia e dos negócios. Desde a primeira edição do evento no Brasil, a INSI acompanha de perto essa agenda, participando das conversas que ajudam a traduzir tendências em visão prática para o mercado.
Ao longo dos três dias, este conteúdo reunirá os principais aprendizados do evento, com foco especial nos temas que mais impactam a transformação das empresas, como inteligência artificial, liderança, confiança, segurança e aplicação concreta da tecnologia nos negócios.
Dia 1: IA mais estratégica, aplicada e conectada à realidade
O primeiro dia do South Summit Brazil 2026 mostrou que a inteligência artificial está sendo discutida de forma cada vez mais madura. Mais do que chamar atenção pelo potencial tecnológico, a IA apareceu como uma força capaz de transformar a maneira como empresas operam, tomam decisões e constroem vantagem competitiva.
Essa visão ficou evidente logo em discussões que apresentaram a IA como parte de uma mudança mais estrutural. Em “A grande reorganização: como a inteligência artificial transformará empresas, mercados e instituições”, Salim Ismail defendeu que a tecnologia já não deve ser vista apenas como ferramenta de automação, mas como vetor de reorganização da economia, das organizações e da forma como o valor é criado.
Ao mesmo tempo, outro eixo forte do dia foi a ideia de que escalar IA exige mais do que adotar novas soluções. O debate avançou para temas como execução, liderança e governança, reforçando que a vantagem competitiva não nasce da tecnologia isolada, mas da capacidade de conectá-la ao modelo de negócio e à operação real.
A agenda também trouxe uma discussão relevante sobre confiança e cultura. Em “Secure by Design: Building Trust in the Age of AI”, Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil, reforçou que segurança, aprendizado contínuo e confiança precisam fazer parte da base da transformação. Em um ambiente de mudanças rápidas, a escala da IA depende não apenas da arquitetura tecnológica, mas também da maturidade organizacional para lidar com o novo.
Já em “From Machines to Purpose: AI Empowering People, Communities, and Businesses”, Diego Puerta, presidente da Dell Technologies, trouxe um olhar mais aplicado ao destacar que a IA gera mais valor quando responde a problemas concretos, próximos da operação, do cliente e do contexto em que as decisões realmente acontecem. A discussão reforçou que o amadurecimento da tecnologia passa por sua capacidade de sair do campo abstrato e produzir impacto real.
Se o primeiro dia já aponta uma direção, ela é clara: a próxima fase da inteligência artificial será menos sobre novidade e mais sobre capacidade de transformar potencial tecnológico em resultado concreto, com estratégia, confiança e aplicação prática.
Dia 2: Mentalidade global, governança e competitividade para crescer
A programação também abriu espaço para uma discussão sobre inovação e expansão de negócios, ampliando o olhar sobre o que torna as empresas mais preparadas para competir em um ambiente cada vez mais dinâmico e global. No painel Innovation and Business Expansion, realizado no South Summit Brazil 2026, Telmo Costa, CEO da INSI, participou de uma conversa com Daniel Maranhão, CEO da Grant Thornton Brasil, e Felippe Prates, CEO da Novalogic Infraestrutura e Data Center, com mediação de Delton Batista, presidente do LIDE RS SC.
Em linha com os debates que vêm marcando o evento, a conversa mostrou que crescimento sustentável não depende apenas de tecnologia disponível, mas da capacidade de estruturar negócios com visão de longo prazo, excelência operacional e abertura para mudança. Entre os pontos centrais do painel, ganhou força a ideia de que a internacionalização de empresas brasileiras começa pela mentalidade. Mais do que escala ou presença física em outros mercados, expandir exige que as organizações se enxerguem desde cedo com potencial global.
Ao longo da discussão, Telmo Costa destacou que a principal barreira para crescer já não está na tecnologia em si, mas na capacidade humana de mudar, aprender e desaprender. Nesse contexto, o ambiente de negócios brasileiro, apesar de desafiador, pode funcionar como uma escola de resiliência, adaptação e preparo para cenários complexos, atributos cada vez mais importantes para empresas que querem ampliar sua competitividade.
Outro ponto forte do painel foi a importância de governança e compliance como base para expansão e atração de investimentos. A avaliação compartilhada pelos participantes foi a de que negócios com ambição de crescimento precisam construir estrutura, processos e credibilidade desde cedo. Em um cenário em que inovação precisa caminhar junto com execução, esses elementos deixam de ser apenas exigências formais e passam a sustentar a confiança necessária para crescer com consistência.
IA, trabalho e capacidades humanas no centro da transformação
A agenda também trouxe uma discussão mais humana sobre o avanço da inteligência artificial e seus efeitos sobre o trabalho. Em "The Soul of the Future: Humanity’s Role in an Automated World", o debate se afastou do entusiasmo puramente tecnológico para levantar uma questão mais profunda: em um mundo cada vez mais automatizado, quais capacidades humanas precisam ser preservadas e fortalecidas?
Entre os pontos centrais da conversa, ganhou força a ideia de que a adoção de IA pode seguir caminhos muito diferentes dentro das organizações. De um lado, há o risco de uma economia esvaziada, em que empresas priorizam apenas eficiência de curto prazo e acabam enfraquecendo competências humanas essenciais. De outro, surge a possibilidade de uma economia ampliada, em que pessoas e tecnologia evoluem juntas, com a IA assumindo tarefas escaláveis e repetitivas, enquanto os profissionais concentram energia em julgamento, verificação, liderança e tomada de decisão.
A discussão também chamou atenção para um ponto estratégico: a importância de preservar a formação de talentos ao longo do tempo. Ao eliminar funções de entrada ou reduzir excessivamente espaços de aprendizado, as empresas correm o risco de comprometer a formação dos profissionais que ocuparão, no futuro, posições de maior discernimento e responsabilidade.
Outro aspecto relevante foi a defesa de um redesenho mais cuidadoso das organizações. Em vez de usar a IA apenas como ferramenta para cortar etapas e reduzir custos, a proposta discutida no painel foi utilizá-la para liberar as pessoas para atividades de maior valor humano, sem perder de vista conexão, confiança e desenvolvimento de capacidades.
Liderança, cultura e governança ganham peso na era dos agentes de IA
A programação também aprofundou a discussão sobre os agentes de IA e os desafios de transformar testes e pilotos em escala real. Em "How to Lead in the Era of AI Agents", o debate reforçou que o principal obstáculo para esse avanço não está apenas na tecnologia, mas na forma como empresas definem metas, estruturam governança e preparam pessoas para trabalhar em ambientes híbridos, com humanos e sistemas inteligentes atuando lado a lado.
Entre os pontos centrais da conversa, ganhou força a percepção de que muitos projetos falham por excesso de expectativa e falta de desenho. Quando a IA entra sem objetivos claros, sem papéis bem definidos e sem conexão com fluxos reais de trabalho, a tendência é que a organização fique presa a um ciclo de experimentação que não se converte em valor concreto.
A discussão também apontou que a adoção de agentes exige uma mudança mais profunda na forma de liderar. Em vez de tratar IA apenas como ferramenta de eficiência, o desafio passa a ser redesenhar processos, ajustar responsabilidades e fortalecer capacidades humanas que ganham ainda mais relevância nesse contexto, como julgamento, adaptação, verificação e clareza de intenção.
Outro eixo importante foi o papel da cultura. Os participantes defenderam que transformação com IA não começa pelo treinamento isolado nem apenas pela revisão de cargos, mas por uma base cultural capaz de sustentar confiança, aprendizado contínuo e segurança psicológica. Sem isso, mesmo boas soluções tendem a enfrentar resistência ou perder tração na operação.
Automação com propósito e espaço para o humano
Entre as conversas que encerraram a programação, uma discussão sobre a relação entre humanos e máquinas trouxe uma pergunta importante para o centro do debate: em um cenário de automação cada vez mais avançada, o que não deve ser delegado à inteligência artificial?
No painel "Redesigning the Human-Machine Pact", a reflexão se afastou da lógica puramente produtiva para defender um uso mais consciente da tecnologia. A ideia central foi que nem toda tarefa precisa ser automatizada, especialmente quando a eliminação do contato humano compromete elementos como empatia, criatividade, escuta e construção de sentido.
A conversa também destacou que a IA pode gerar enorme valor em áreas como educação, saúde e colaboração interdisciplinar, principalmente ao ampliar acesso à informação, acelerar análises e facilitar a comunicação entre diferentes perfis e especialidades. Ao mesmo tempo, os participantes defenderam que interações humanas diretas, como conversas com usuários e processos de escuta mais abertos, continuam sendo insubstituíveis em contextos que exigem sensibilidade, nuance e interpretação.
A discussão reforça um ponto importante da agenda do evento: à medida que a inteligência artificial avança, o diferencial não está apenas em automatizar mais, mas em decidir melhor o que automatizar e o que preservar como espaço humano.
Dia 3: Computação quântica começa a sair do campo teórico e entrar no radar estratégico
A programação também abriu espaço para uma discussão sobre tecnologias emergentes além da inteligência artificial generativa. Em "Demystifying Quantum Computing", Eric Van der Kleij, da EdenBase & QBase, e David Ochi, da UC Irvine, defenderam que a computação quântica começa a deixar de ser vista apenas como curiosidade científica para entrar no radar de empresas e investidores como uma oportunidade estratégica de longo prazo.
Ao longo da conversa, ganhou força a ideia de que o setor vive uma transição importante, saindo de uma fase predominantemente científica e avançando para um estágio mais ligado à engenharia e à construção de aplicações viáveis. Nesse contexto, o crescimento do ecossistema de startups, a evolução do hardware e a articulação entre pesquisa e mercado ajudam a aproximar a tecnologia de usos mais concretos.
Outro ponto relevante foi a defesa de que empresas e lideranças precisam se tornar, desde já, mais familiarizadas com esse universo. A mensagem do painel não foi a de adoção imediata em massa, mas a de preparação. À medida que a computação quântica se torna mais acessível e relevante, compreender seu potencial passa a ser parte de uma agenda mais ampla de inovação e antecipação tecnológica.
Produtividade com GenAI depende menos de acesso e mais de mentalidade
A discussão sobre inteligência artificial também avançou para um tema cada vez mais central nas empresas: a produtividade. Em "GenAI and the New Era of Human Productivity", Leandro Balbinot, vice-presidente de Supply Chain e Tecnologia e CTO da Amazon, argumentou que o principal diferencial na era da IA generativa já não está no acesso às ferramentas, mas na forma como profissionais e organizações escolhem utilizá-las.
Segundo a lógica apresentada na palestra, grande parte das pessoas ainda opera em um estágio muito básico de uso, concentrado em tarefas como resumir documentos, organizar informações e acelerar pesquisas. O ganho mais relevante, porém, começa a aparecer quando a IA deixa de ser apenas assistente operacional e passa a atuar como parceira de raciocínio, refinamento e criação.
Ao longo da apresentação, Leandro Balbinot defendeu que o valor profissional está se deslocando. Em vez de premiar apenas quem acumula informação, o novo contexto valoriza cada vez mais quem consegue conectar padrões, estruturar boas perguntas, interpretar cenários e usar a IA para acelerar a passagem da ideia à execução. A tecnologia, nessa leitura, não substitui criatividade. Ela amplia velocidade, repertório e capacidade de testar caminhos com mais profundidade.
O painel reforça um ponto importante da cobertura até aqui: com a popularização das ferramentas, a principal fronteira da IA passa a ser menos tecnológica e mais estratégica. O desafio não é apenas ter acesso, mas desenvolver repertório, intencionalidade e maturidade para transformar IA em produtividade de maior valor.
IA centrada no ser humano ganha força como estratégia, não apenas discurso
Outro painel que aprofundou a discussão sobre adoção responsável de IA foi "Human-Centered AI: Choice, Not Chance", conduzido por David Levi, do Stanford Institute for Human-Centered Artificial Intelligence. A principal mensagem da palestra foi que IA centrada no ser humano não deve ser tratada como conceito abstrato ou discurso reputacional, mas como um framework estratégico para organizações que desejam implementar tecnologia com mais confiança, consistência e impacto real.
Entre os princípios destacados, ganhou força a ideia de que a IA deve ser inspirada pela inteligência humana, guiada por seu impacto sobre pessoas e desenhada para ampliar capacidades, e não simplesmente substituí-las. A fala também chamou atenção para a importância de construir confiança por meio de comunicação contínua com trabalhadores e equipes, especialmente em contextos nos quais a automação desperta insegurança sobre funções, papéis e futuro profissional.
Outro ponto central foi a necessidade de repensar estruturas organizacionais em vez de apenas encaixar IA em modelos já existentes. Em vez de reproduzir cargos e fluxos desenhados exclusivamente para humanos, a proposta apresentada por David Levi foi a de reimaginar processos, responsabilidades e formas de colaboração, levando em conta tanto as capacidades quanto os limites dos sistemas inteligentes.
A palestra ainda reforçou que essa jornada exige visão de longo prazo. Implementar IA com qualidade passa por reconhecer incertezas, evitar decisões guiadas apenas por medo de ficar para trás e enfrentar um desafio crescente: o risco de atrofia de capacidades humanas quando a tecnologia é usada sem critério. Nesse sentido, o debate mostrou que o futuro da IA depende não apenas do que ela é capaz de fazer, mas das escolhas feitas por empresas e lideranças sobre como adotá-la.
O que fica do South Summit Brazil 2026
Ao longo dos três dias de programação, o South Summit Brazil 2026 deixou uma mensagem consistente: a transformação em curso já não pode ser explicada apenas pelo avanço das tecnologias, mas pela forma como empresas, lideranças e instituições escolhem incorporá-las ao mundo real.
A inteligência artificial apareceu em diferentes frentes do evento, da produtividade à governança, da automação ao redesenho das organizações, da confiança à valorização das capacidades humanas. Ao mesmo tempo, outras fronteiras, como a computação quântica, reforçaram que o debate sobre inovação continua se expandindo e exigindo visão estratégica de longo prazo.
Entre os principais aprendizados que atravessaram a programação, ganhou força a percepção de que acesso à tecnologia, sozinho, já não é diferencial suficiente. O que passa a separar organizações mais preparadas das demais é a capacidade de transformar ferramentas em direção, de conectar inovação com execução e de adotar novas possibilidades sem perder de vista impacto, contexto e responsabilidade.
Nesse sentido, o evento também reforçou que o futuro da competitividade será cada vez mais definido por escolhas. Escolhas sobre como crescer, como liderar, como automatizar, como formar talentos e como preservar aquilo que segue sendo essencialmente humano. Em um ambiente mais veloz e mais inteligente, o desafio não está apenas em acompanhar a mudança, mas em construir critérios para fazer dela uma vantagem real e sustentável.
Para a INSI, acompanhar de perto essa agenda desde a primeira edição do evento no Brasil segue sendo uma forma de traduzir tendências em reflexão aplicada ao mercado. E, se há uma conclusão possível a partir desta edição, ela talvez seja esta: a próxima fase da inovação será menos marcada pela novidade em si e mais pela maturidade com que empresas e líderes transformarão tecnologia em valor, confiança e impacto concreto.
