O futuro da liderança de pessoas: aprendizados da Semana Caldeira
A Semana Caldeira é um evento anual de inovação que reúne líderes, empreendedores e especialistas em debates sobre tecnologia, cultura e futuro dos negócios. A programação acontece no Instituto Caldeira, hub de inovação em Porto Alegre que conecta empresas, startups e a comunidade para impulsionar tecnologia e novos negócios.
Foi nesse cenário que aconteceu o painel “O futuro da liderança de pessoas: talentos e cultura no centro da estratégia”, reunindo Daniele Schmidt (CHRO do Sicredi), Katiuscia Teixeira (CHRO da Zenvia), Guilherme Neves (Evermonte) e Cláudio Carrara, sócio-fundador e vice-presidente da INSI. A conversa trouxe reflexões profundas sobre como liderar em um contexto de transformação digital acelerada, em que a inteligência artificial e as novas gerações de profissionais estão mudando as regras do jogo.
Ao longo do debate, ficou evidente que a tecnologia já não é mais apenas um suporte, mas um elemento estruturante da forma como trabalhamos. A inteligência artificial, em especial, atravessa processos, decisões e relacionamentos. Ela exige que líderes deixem de apenas repassar tarefas e assumam um papel mais estratégico, capaz de criar caminhos de crescimento, assumir riscos e orientar times cada vez mais autônomos. ==Como destacou Cláudio Carrara, toda empresa será de tecnologia e, ao mesmo tempo, uma escola, e todo líder terá de ser, antes de tudo, um educador, capaz de formar pessoas com propósito e autonomia.==
Outro ponto central foi o equilíbrio entre performance e saúde mental. Não se trata de opostos, mas de dimensões que caminham juntas quando há segurança psicológica, combinados claros e espaço para conversas honestas. Exemplos trazidos pela Daniele Schmidt, da Sicredi, mostraram como ritos simples, como ciclos regulares de feedback, podem aumentar engajamento, confiança e até resultados financeiros.
O debate também ressaltou a importância da franqueza na liderança. Ser direto sobre expectativas e responsabilidades economiza energia e evita ruídos desnecessários. Carrara lembrou que, se pudesse voltar atrás, teria investido ainda mais em clareza nas relações. Ao mesmo tempo, reforçou que quando a falta de performance é generalizada, o problema não está nas equipes, mas na liderança, na sua capacidade de desenvolver pessoas, tomar decisões difíceis e alinhar cultura e estratégia.
As novas gerações também surgiram como um desafio importante. Muitos jovens não desejam ocupar cargos de liderança dentro dos modelos de pressão e cobrança herdados do passado. Para engajá-los, é preciso oferecer trilhas de desenvolvimento mais equilibradas, propósito claro e ambientes que incentivem experimentação e aprendizado. O líder do futuro, portanto, precisará conciliar diferentes expectativas geracionais com a necessidade de entregar resultados em um mercado cada vez mais competitivo.
O painel terminou com um consenso: ==liderar na era da inteligência artificial significa colocar gente e cultura no centro das estratégias, sem abrir mão da clareza, da escuta empática e da visão de negócio==. Mais do que nunca, liderar é educar, inspirar e sustentar culturas fortes, capazes de formar times diversos e de alta performance, preparados para os desafios que vêm pela frente.
