O SAP Sapphire 2026 começou dia 12 de maio de 2026 e a INSI esteve no evento acompanhando de perto cada anúncio, cada keynote e cada conversa de bastidor. Como parceira estratégica da SAP no Brasil, nosso papel aqui é duplo: entender em primeira mão para onde vai a maior plataforma corporativa do mundo e traduzir isso em decisões concretas para os clientes que confiam na gente para conduzir suas jornadas digitais.
Este artigo será atualizado diariamente com os highlights do evento.
O primeiro dia do SAP Sapphire entregou uma mudança que merece ser lida com calma.

A virada de posicionamento
Por anos, a SAP foi descrita como a empresa de ERP que estava incorporando IA. No keynote de abertura, essa lógica foi invertida.
A SAP passa a se posicionar como uma empresa de inteligência artificial de negócios, que opera soluções como ERP, supply chain, CX e HCM como domínios de aplicação.
Essa mudança não é apenas conceitual. Ela redefine como as empresas devem pensar arquitetura, governança e tomada de decisão baseada em dados.
No centro desse novo posicionamento está a SAP Business AI Platform, que integra três camadas principais:
- AI Foundation
- Business Data Cloud
- Business Technology Platform (BTP)
Sobre essa base, foi apresentada a Autonomous Suite, com 224 agentes e 51 assistentes ativos distribuídos entre áreas como finanças, cadeia de suprimentos, RH e experiência do cliente.
A pergunta que o cliente precisa fazer não é mais “a SAP vai ter IA?”. É “como minha operação vai conviver com uma SAP que assume cada vez mais decisões por padrão?”.
Como a IA passa a impactar a arquitetura corporativa
A mudança apresentada no evento vai além da interface. Ela altera a arquitetura de sistemas e o modelo operacional das empresas.
Três anúncios sustentam essa transformação.
AI Agent Hub e governança de agentes
O AI Agent Hub, previsto para GA no terceiro trimestre, será o ponto central de governança de agentes, incluindo:
- descoberta e catalogação
- verificação e compliance
- observabilidade
- gestão de ciclo de vida
A solução estará incluída no BTP sem custo adicional.
O movimento indica que a SAP está assumindo o papel de camada de controle e auditabilidade das decisões automatizadas. Em ambientes regulados, isso tende a se tornar um componente crítico da arquitetura.
Joule Studio 2.0 e desenvolvimento com IA
O Joule Studio 2.0 (Tools Studio) foi apresentado como um ambiente de desenvolvimento aberto e agnóstico de modelo.
A plataforma permite o uso de modelos próprios da SAP ou de terceiros, incluindo o Claude, da Anthropic.
Em testes iniciais, a SAP reporta ganhos de até 10 vezes na velocidade de desenvolvimento, com aumento de precisão. A liberação para clientes começa a partir de junho.
O ponto central é a abertura do ecossistema, reduzindo dependência de um único fornecedor de modelos.
Business Data Cloud e federação de dados
O Business Data Cloud evolui com capacidades de federação de dados, incluindo suporte ao Apache Iceberg.
Com isso, agentes passam a operar sobre dados distribuídos em diferentes nuvens, sem necessidade de movimentação prévia.
Esse modelo reduz a dependência de consolidação de dados e desloca o foco para a camada semântica, que passa a ser construída no momento da consulta.
O detalhe que poucos vão notar
Há uma escolha arquitetural, meio escondida no keynote, que merece atenção.
A SAP embarcou o NVIDIA Open Shell como camada de execução segura para agentes. É código aberto, contribuído para a comunidade, e serve para restringir o que cada agente pode fazer, controlar acesso a dados e garantir rastreabilidade.
Por que isso importa?
Porque o maior desafio de quem está testando agentes em ambiente corporativo não é a capacidade do modelo. É a impossibilidade de garantir que ele não vai agir fora do escopo definido.
O que a SAP está dizendo, na prática, é que resolveu um pedaço crítico do problema de produção.
E está fazendo isso em parceria com a NVIDIA, não internamente. Isso sinaliza maturidade: a SAP não está tentando ser dona de toda a stack. Está sendo dona do que realmente importa, que é o contexto de negócio.
Os números que importam
Alguns exemplos apresentados ajudam a diferenciar intenção de execução:
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KPMG: modernização para S/4HANA Public Cloud com 270 mil usuários, IA em 34 países e cerca de 20 agentes ativos. Expectativa de US$ 120 milhões em economia na revisão de contratos.
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Takeda: redução de até 25% na perda de receita por ruptura e até 5% no estoque de segurança com uso do Autonomous Suite.
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JPMorgan: migração do razão geral para SAP com agentes auditáveis baseados no framework de controle da plataforma.
Além disso, a SAP anunciou investimento de mais de 100 milhões de euros para construção de agentes no ecossistema, com troca aberta de dados com agentes de terceiros sem cobrança adicional.
Esses casos indicam avanço da IA em ambientes altamente regulados, elevando o nível de maturidade esperado para adoção corporativa.
O que isso significa para quem está decidindo agora
Se a sua empresa está em migração para S/4HANA ou está em RISE/GROW, três movimentos pedem decisão nas próximas semanas, não nos próximos trimestres.
Primeiro, revisar o caso de migração à luz do Autonomous Suite. Brownfield clássico continua válido, mas com um detalhe novo: cada customização preservada é uma porta fechada para agente padrão.
O conceito de clean core deixou de ser higiene técnica e virou pré-requisito de IA. Um cliente apresentado no evento reduziu de 18 mil mudanças de código customizado para 19 objetos no último upgrade.
Segundo, encarar o AI Agent Hub como decisão de arquitetura, não como ferramenta. Quem define hoje a governança de agentes define amanhã quem pode rodar o quê no ambiente.
Terceiro, olhar com cuidado para o Rise and Grow with SAP. A SAP está se comprometendo contratualmente com ativação e adoção de IA, inclusive em ECC, com pacote de mais de 20 assistentes ativados sem custo adicional para novos clientes do GROW.
Dia 2: da visão à execução
Se o primeiro dia apresentou o destino, o segundo deixou claro o caminho.
Sem uma fundação sólida de ERP, a promessa da IA autônoma não se sustenta. O conceito central que conecta essa discussão é o Clean Core.
Clean Core: de conceito técnico a pré-requisito de IA
Um dos principais entraves para a adoção de IA em ERPs está na complexidade acumulada ao longo dos anos. No evento, foi destacado que upgrades ocorrem, em média, a cada oito anos, e que cada ciclo pode exigir até seis meses de testes e remediação.
Nesse cenário, qualquer agente de IA passa a operar sobre uma base instável, com dados inconsistentes e processos pouco confiáveis.
O Clean Core surge como resposta a esse problema, mas com um novo enquadramento. Não se trata de eliminar customizações, e sim de governar como elas existem. O objetivo é reequilibrar o investimento de TI, hoje concentrado em manutenção, para inovação nos processos que realmente geram valor para o negócio.
Os cinco princípios do Clean Core
A SAP estruturou o conceito de Clean Core em cinco princípios que orientam essa transformação. O primeiro deles é o Fit-to-Standard, que propõe manter a operação o mais próxima possível do padrão SAP, com níveis de aderência entre 90% e 95%, estendendo apenas quando há ganho claro de negócio.
Outro ponto central é a extensibilidade desacoplada, que separa as extensões do núcleo do ERP para reduzir riscos em upgrades e evitar o acúmulo de débito técnico. Essa decisão deixa de ser reativa e passa a ser estratégica.
A governança de dados aparece como elemento estruturante. Dados confiáveis deixam de ser apenas um requisito operacional e passam a ser a base para decisões automatizadas com IA. Sem esse princípio, a qualidade das recomendações é comprometida, independentemente do modelo utilizado.
A integração via APIs e eventos reforça a necessidade de um ambiente flexível e resiliente, reduzindo o risco de quebras a cada atualização. Por fim, a eficiência operacional aparece como consequência direta desse conjunto, permitindo reduzir riscos e acelerar a adoção de inovação.
Clean Core deixou de ser higiene técnica e virou pré-requisito de IA.
Um cliente reduziu de 18 mil customizações para 19 objetos no último upgrade.
Migração assistida por IA
O segundo dia também trouxe avanços concretos na forma como a migração para S/4HANA está sendo conduzida.
O destaque foi o uso do Data Management Assistant, um assistente de IA que atua diretamente no ECC antes da transição. Seu papel é preparar a base de dados para um ambiente mais padronizado e governado.
Na prática, isso significa automatizar a avaliação de qualidade de dados, executar deduplicações, propor correções e acompanhar o ambiente após a migração para garantir estabilidade.
Com esse tipo de abordagem, a migração deixa de ser um evento isolado e passa a ser parte de um processo contínuo de evolução. As organizações chegam ao S/4HANA com dados mais limpos, processos mais consistentes e uma base preparada para suportar agentes de IA em produção.
O que isso significa na prática
Para empresas em migração para S/4HANA ou avaliando RISE e GROW with SAP, algumas decisões deixam de ser opcionais e passam a estruturar toda a estratégia.
O Clean Core se consolida como pré-requisito, não apenas para evolução técnica, mas para viabilizar o uso de IA. A governança de agentes passa a ser uma decisão de arquitetura, com impacto direto em controle, compliance e operação. E a própria economia da migração muda, à medida que a IA passa a ser incorporada como parte da base da solução.
SAP Sapphire 2026: dois dias, uma mensagem clara
O SAP Sapphire 2026 construiu uma narrativa consistente ao longo dos dois dias. No primeiro, apresentou a visão da empresa autônoma. No segundo, detalhou a fundação necessária para torná-la possível.
A conclusão é direta: a IA no SAP não será limitada pela tecnologia, mas pela qualidade da base construída pelas empresas.
Sem Clean Core, dados governados e processos padronizados, o potencial da IA se reduz significativamente.
Para empresas que operam SAP, os próximos meses serão decisivos para definir seu nível de maturidade e competitividade.
Se a sua empresa está avaliando migração para S/4HANA ou quer estruturar uma base preparada para IA, o próximo passo é entender como essas decisões se aplicam ao seu cenário. Converse com nossos especialistas.
