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Gartner IT Symposium 2026: IA e o Playbook dos 8%

7 min de leitura19 de outubro de 2026Por Thiago Zaiden
Insi at Gartner

19 de outubro de 2026 | Orlando, Flórida | Cobertura do primeiro dia

A inteligência artificial já se tornou prioridade estratégica nas empresas. Mas, depois de anos de investimentos e experimentação, a pergunta mais importante deixou de ser se as organizações conseguem adotar IA. O desafio é entender o que efetivamente melhorou no negócio graças a ela.

Essa questão marcou a abertura do Gartner IT Symposium/Xpo 2026, em Orlando. Mais de 7.500 CIOs e executivos de tecnologia participam do evento, realizado de 19 a 22 de outubro, para discutir IA, cibersegurança, transformação de negócios e o novo papel da tecnologia. Sob o tema Ignite Intelligence, o foco está cada vez mais na conexão entre o julgamento humano e as capacidades da IA.

A Insi acompanha os debates presencialmente e também leva ao palco sua própria pesquisa, ao lado da cliente Gerdau, para discutir por que apenas uma parcela das empresas consegue transformar investimentos em IA em valor duradouro. Este artigo será atualizado durante o evento.

Dia 1 | 19 de outubro: Da aceleração da IA aos resultados mensuráveis

A keynote de abertura do Gartner: Gerar valor com IA mais rápido do que os riscos crescem

Às 10h, os analistas do Gartner Daryl Plummer e Kristin Moyer abriram a conferência com Shaping Momentum: Compounding Value and Risk for the Next Success Horizon. A mensagem definiu o tom da semana: a IA pode acelerar os negócios, mas as organizações precisam garantir que o valor gerado cresça mais rápido do que os riscos.

Segundo a análise publicada pelo Gartner sobre a keynote, apenas um em cada cinco casos de uso de IA gera retorno positivo, enquanto 86% dos CIOs em uma pesquisa do Gartner relataram que os riscos da IA crescem mais rápido do que seu valor em suas organizações. O problema não é a falta de aplicações. É transformar sucessos isolados em capacidades que continuem gerando resultados em toda a empresa.

Para explicar esse desafio, Plummer e Moyer apresentaram o Gartner Value-Risk Flywheel. A proposta é compreender valor e risco como forças interligadas. Novas aplicações, dados e agentes podem ampliar os benefícios da IA, mas também multiplicar erros, vulnerabilidades e complexidade operacional.

Um dos pontos mais relevantes foi a distinção entre obstáculos úteis e prejudiciais. Controles de acesso, responsabilidade humana, cibersegurança e disciplina de custos podem tornar uma ação mais lenta, mas protegem a capacidade de crescer com segurança. Já aprovações desnecessárias, retrabalho e sistemas fragmentados geram fricção sem agregar proteção. Para os CIOs, a meta não é apenas ganhar velocidade, mas construir uma aceleração sustentável.

A abertura também apresentou o conceito de AI Central Bank, uma abordagem coordenada para governança, tecnologia, economia e inteligência compartilhada entre áreas. Não significa concentrar todas as decisões em TI, mas criar regras consistentes para que pessoas e sistemas cada vez mais autônomos tomem decisões, executem ações e mantenham responsabilidades claras.

A Insi no palco: O que diferencia os 8% líderes em IA

O mesmo desafio de transformar adoção em valor esteve no centro da palestra da Insi, The 8% Playbook: What Sets AI Leaders Apart. Às 13h45, Mário Lemos, diretor de Produto e Inovação da Insi, apresentou o tema ao lado de Gustavo França, CIO global da Gerdau, cliente da Insi, conectando evidências de pesquisa à realidade da transformação nas empresas.

O ponto de partida foi o estudo DXi, conduzido pela Insi em parceria com a Fundação Dom Cabral. A edição de 2026 ouviu mais de 100 executivos e lideranças de empresas brasileiras, de 19 setores da economia. A pesquisa sustenta a principal provocação da palestra: apenas 8% das organizações pesquisadas avançaram da experimentação para uma capacidade integrada ao negócio, capaz de gerar valor estratégico. O acesso às ferramentas se ampliou. A capacidade organizacional de transformá-las em resultados ainda é restrita.

Lemos e França exploraram cinco padrões que ajudam a explicar essa diferença. Empresas mais maduras começam pela estratégia de negócio, não pela escolha da tecnologia. Desenvolvem conhecimento de IA além da área de TI, permitindo que as pessoas mais próximas dos problemas identifiquem oportunidades. Atribuem à alta liderança a responsabilidade pela transformação. Estruturam governança de valor, risco e custos. E usam IA não apenas para eficiência, mas também para redesenhar processos, melhorar a experiência do cliente e gerar crescimento.

A Gerdau trouxe uma perspectiva concreta. França descreveu uma abordagem que conecta iniciativas de IA à cadeia de valor da siderúrgica, forma multiplicadores nas áreas de negócio e envolve a liderança na governança. Também apresentou o uso de IA para interpretar informações complexas dos pedidos de clientes e simplificar o processo de compra. A oportunidade vai além de automatizar uma tarefa interna: envolve repensar uma experiência relevante para o cliente.

Para a Insi, existe ainda um princípio por trás desses padrões: a intencionalidade. Antes de decidir qual tecnologia implementar, a liderança precisa ter clareza sobre o negócio que deseja construir. Depois da execução, precisa avaliar se o resultado se transformou em uma capacidade duradoura, e não apenas em uma melhoria pontual. Tudo começa dentro.

O desafio do valor: Mais casos de uso não significam necessariamente mais resultados

A programação do Gartner reforçou essa leitura. Dados da pesquisa 2027 CIO and Technology Executive Agenda mostram que apenas 13% dos CIOs consideram que suas organizações já alcançaram valor significativo ou transformacional com IA.

O grupo com desempenho superior identificado pelo Gartner, chamado de Vanguards, se diferencia também pela disciplina: define critérios de sucesso antes de levar pilotos à escala e estabelece quando interromper iniciativas que não entregam valor. Para isso, as áreas de negócio precisam assumir a responsabilidade pelos resultados junto com a tecnologia.

Os percentuais do Gartner e da Insi vêm de pesquisas com públicos e critérios diferentes e não devem ser comparados diretamente. Ainda assim, ambos apontam para uma pergunta comum: como sair de uma grande quantidade de experimentos e chegar a resultados repetíveis e mensuráveis?

A IA agêntica torna governança e integração ainda mais importantes

À medida que a IA deixa de apenas responder perguntas e passa a executar atividades, a governança se torna ainda mais concreta. Segundo o Gartner, 71% das organizações esperam implantar IA agêntica nos próximos 12 meses, mas apenas 21% já contam com capacidades de governança para agentes de IA.

Agentes que atuam entre sistemas corporativos exigem contexto de negócio confiável, permissões bem definidas, rastreabilidade das decisões e supervisão. Sem esses fundamentos, conectar plataformas pode criar novos riscos em vez de reduzir obstáculos operacionais. O uso responsável de IA não pode ser uma etapa acrescentada depois da implantação. Precisa fazer parte do desenho do trabalho.

Os custos da IA e a transformação do trabalho chegam à agenda executiva

A economia da IA também esteve em pauta no primeiro dia. Diferentemente de gastos tradicionais de software, o consumo pode variar conforme os modelos utilizados, o desenho dos processos, o uso e a autonomia dos agentes. O Gartner identificou que 51% dos CIOs esperam que a IA eleve o custo total de propriedade das soluções de tecnologia. A medida mais relevante, portanto, não é quantos tokens foram consumidos ou quantas tarefas foram automatizadas, mas qual foi a contribuição do investimento para o negócio.

A mudança também envolve pessoas. Apenas 4% dos CIOs pesquisados pelo Gartner afirmam ter planos explícitos para redesenhar funções em equipes que combinam pessoas e agentes de IA. Gerar valor em escala dependerá justamente dessa evolução: desenvolver novas competências, redesenhar processos e permitir que os CIOs coordenem a inovação tecnológica em toda a empresa, sem tentar concentrar todas as iniciativas em TI.

O que vem pela frente no Gartner IT Symposium/Xpo 2026

O primeiro dia apontou uma conclusão: a próxima vantagem competitiva em IA não virá de implementar o maior número de ferramentas. Virá da capacidade de conectar estratégia, tecnologia, governança e pessoas para transformar o desempenho do negócio e preparar a próxima evolução.

Atualizaremos este artigo até 22 de outubro com novos aprendizados da conferência. Está no Gartner IT Symposium/Xpo? Visite a Insi no estande 913, no Pacific Hall, como parte da delegação Brasil IT+, e converse conosco sobre como avançar da experimentação em IA para resultados mensuráveis.

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