O primeiro dia do Febraban Tech 2026 reforçou uma mudança importante na conversa sobre inteligência artificial no setor financeiro. Mais do que discutir novas ferramentas, os debates avançaram sobre como integrar agentes de IA à operação, preparar as empresas para trabalhar com mais autonomia tecnológica e, ao mesmo tempo, manter controle, contexto e responsabilidade.
Ao longo do dia, temas como squads híbridos, governança, hiperpersonalização e novos modelos de desenvolvimento mostraram que a próxima etapa da IA passa menos pela experimentação e mais pela capacidade de incorporá-la de forma estruturada ao negócio.
O que marcou o primeiro dia do evento
Pessoas e agentes começam a dividir a execução do trabalho
Um dos temas em destaque foi a evolução das equipes de desenvolvimento para modelos híbridos, formados por profissionais e agentes de IA. A discussão mostrou que o ganho não está apenas em acelerar tarefas isoladas, mas em reorganizar a forma como o trabalho acontece. Nesse modelo, agentes assumem parte da execução, enquanto as pessoas concentram decisões críticas, direcionamento, arquitetura e governança. Durante uma das palestras do dia, foram apresentados três estágios dessa evolução: o uso da IA como copiloto, agentes atuando de forma isolada e, em um nível mais avançado, a orquestração de múltiplos agentes ao longo do processo.
Mas a capacidade de escalar esse modelo depende de um elemento básico: contexto.
Se decisões arquiteturais, regras de negócio, padrões técnicos e conhecimentos importantes permanecem apenas na cabeça dos especialistas, os agentes não terão informação suficiente para operar de forma consistente. Nesse cenário, documentar processos e transformar conhecimento tácito em contexto acessível à IA passa a fazer parte da própria arquitetura das soluções. A Insi levou essa discussão para a prática durante o evento ao apresentar seu modelo de Agentic Dev, no qual agentes de IA participam de diferentes etapas do ciclo de desenvolvimento de software, do planejamento aos testes e à manutenção, sempre com supervisão humana.
A lógica é simples: humanos decidem, agentes executam.
Produtividade importa, mas valor importa mais
Outro ponto recorrente foi a necessidade de avaliar inteligência artificial além da redução de custos.
Entre os indicadores apresentados para acompanhar o desempenho dos agentes estão custo, velocidade, qualidade e confiança. A produtividade continua importante, mas não deve ser analisada de forma isolada. A pergunta passa a ser outra: qual é o impacto de conseguir colocar uma solução no mercado semanas ou meses antes?
Esse raciocínio aproxima a discussão de IA das prioridades reais do negócio. O ganho não está apenas em produzir código mais rápido, mas em aumentar a capacidade de entrega, diminuir retrabalho e transformar velocidade em resultado.
Com isso, o business case da IA também evolui. Em vez de medir apenas quantas horas foram economizadas, empresas começam a observar o valor gerado por entregas mais rápidas, melhores e mais escaláveis.
Hiperpersonalização com IA amplia possibilidades e responsabilidades
A hiperpersonalização no setor financeiro também ganhou espaço no primeiro dia do Febraban Tech 2026.
Com o avanço da IA, instituições financeiras conseguem analisar não apenas informações declaradas pelos clientes, mas também dados observados ao longo da jornada e informações inferidas a partir de diferentes comportamentos.
Essa capacidade amplia as possibilidades de oferecer produtos e experiências mais relevantes, mas também cria novos limites.
O painel “Do insight à ação: intenção, limites e responsabilidade” discutiu justamente quando utilizar essas informações e, principalmente, quando não utilizá-las.
Em situações que envolvem risco financeiro, suspeitas de fraude ou decisões com impacto relevante para o cliente, a tecnologia pode apoiar a análise, mas o julgamento humano continua sendo essencial.
A discussão reforçou que personalização e confiança precisam avançar juntas. Quanto maior a capacidade da IA de interpretar comportamentos e antecipar necessidades, maior também deve ser o cuidado com transparência, privacidade e governança.
O primeiro dia do Febraban Tech mostrou que a evolução da inteligência artificial nas empresas está entrando em uma nova fase.
O desafio já não é apenas adotar agentes ou automatizar atividades. É criar estruturas capazes de dar contexto, estabelecer limites e transformar velocidade em valor real para o negócio.
Segundo dia do Febraban Tech 2026
Se todos os bancos usam IA, o que cria vantagem competitiva?
O segundo dia do Febraban Tech 2026 trouxe uma questão central para o setor financeiro: à medida que a inteligência artificial se torna mais acessível, simplesmente usar IA deixa de ser um diferencial.
Em um mercado já altamente digitalizado, a vantagem passa a estar na forma como cada instituição combina tecnologia com contexto, dados próprios e velocidade de aprendizado. Dados apresentados no evento mostram que 83% das transações bancárias já acontecem por canais digitais e que o orçamento de tecnologia dos bancos deve chegar a R$ 50,4 bilhões em 2026.
A discussão também reforçou que o valor da IA não depende apenas dos modelos utilizados, mas da capacidade de integrá-los aos sistemas e processos existentes. Nesse cenário, arquitetura, compliance e modernização de legados ganham peso para que a tecnologia consiga escalar.
Hiperpersonalização também exige saber a hora de não agir
No segundo dia de Febraban Tech, o debate sobre a hiperpersonalização avançou para outro ponto. Com IA e dados integrados, bancos conseguem captar mais sinais sobre o comportamento dos clientes e identificar com maior precisão quais soluções podem ser relevantes em cada momento. Mas mais informação não significa que toda oportunidade de interação deva virar uma abordagem.
O desafio passa a ser usar esses dados com contexto e definir limites claros. Entender o momento certo de oferecer uma solução pode ser tão importante quanto identificar qual solução oferecer. Sem dados unificados, porém, essa personalização perde consistência.
IA amplia a capacidade de antecipar fraudes
Na segurança, a IA também vem mudando a forma de identificar contas suspeitas.
Um dos modelos apresentados no evento analisou mais de 1,2 milhão de contas e conseguiu concentrar 77% dos casos confirmados de fraude nas faixas de maior risco, além de identificar sinais suspeitos até 37 dias antes da confirmação formal.
A principal mudança está no tipo de análise: não basta mais verificar apenas a identidade do titular. O comportamento da conta, como fluxo de entrada e saída de dinheiro, contrapartes e padrão das movimentações, passa a ter peso cada vez maior.
Nesse cenário, a IA não substitui a investigação, mas ajuda as equipes a priorizar onde olhar primeiro e tornar a prevenção mais antecipatória. O segundo dia reforçou que, no setor financeiro, a próxima vantagem competitiva com IA não estará apenas no acesso à tecnologia, mas na capacidade de aprender mais rápido, usar melhor os dados e transformar informação em decisão.
Terceiro dia do Febraban Tech 2026
Eficiência com IA precisa chegar ao cliente
Depois de dois dias discutindo agentes de IA, contexto, hiperpersonalização, segurança e novos modelos de trabalho, o terceiro dia do Febraban Tech 2026 trouxe dados que ajudam a dimensionar quanto dessa transformação já começa a aparecer dentro das instituições financeiras.
A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 mostra que 92% dos bancos já percebem aumento na velocidade de execução de tarefas com IA, enquanto 52% identificam maior eficiência na análise de dados.
Os números indicam ganhos concretos, mas também levantam uma questão importante: quanto dessa eficiência já é percebida por quem está do outro lado?
A relação dos brasileiros com os bancos já é fortemente digital. Mais de 50% das contas são abertas por canais digitais e 76% dos clientes de mobile banking são heavy users, acessando o aplicativo todos os dias. Nesse cenário, reduzir fricções e transformar eficiência operacional em uma experiência melhor passa a ser parte importante do retorno dos investimentos em tecnologia.
Essa discussão também conecta os principais temas que atravessaram o evento. Agentes podem acelerar processos, dados permitem compreender melhor o cliente e a IA amplia a capacidade de antecipar riscos. Mas o valor dessas tecnologias não está apenas no que acontece dentro da operação.
Ao final dos três dias, uma das principais mensagens da Febraban Tech 2026 fica mais clara: toda essa eficiência precisa se traduzir em experiência para o cliente.
Principais insights do Febraban Tech 2026
A inteligência artificial já está entrando em uma nova etapa no setor financeiro. A discussão avança da adoção de ferramentas para a construção de estruturas capazes de colocar IA para trabalhar em processos cada vez mais relevantes.
Os três dias mostraram que essa evolução depende de mais do que modelos mais sofisticados. Contexto, dados integrados, governança, confiança e capacidade de aprendizado passam a determinar quanto valor cada instituição consegue extrair da tecnologia.
Em um mercado no qual o acesso à IA tende a se tornar cada vez menos exclusivo, o diferencial estará na capacidade de transformar essa inteligência em decisões melhores, operações mais eficientes e experiências mais relevantes para o cliente.
