A era da superinteligência e da atrofia

A participação da INSI no AI Day 2025 começou com um debate que sintetiza o momento histórico que estamos vivendo: uma era em que a inteligência artificial amplia capacidades humanas ao mesmo tempo em que nos obriga a revisitar conceitos fundamentais sobre trabalho, identidade e limites. No painel A era da superinteligência e da atrofia, Viviane Furquim, Diretora de Pessoas e Performance da INSI, Márcio Flôres, Diretor de Corporate Venture & Open Innovation da INSI, e Ricardo Cappra, Cientista de Dados & Founder do Cappra Institute, trouxeram uma visão humana e sistêmica sobre como a IA está remodelando a forma como decidimos, aprendemos e atuamos dentro das organizações.
Logo de início, um ponto central foi colocado em perspectiva: a inteligência artificial já influencia nossas decisões de forma invisível, permeando desde trajetos rotineiros, como o Waze que organiza nosso deslocamento, até decisões complexas guiadas por análises instantâneas de grandes volumes de dados. Para Cappra, essa amplificação cognitiva não representa apenas eficiência, mas uma mudança profunda na forma como nos relacionamos com a informação.
Se antes a sobrecarga de dados gerava paralisia decisória, hoje os algoritmos funcionam como redutores inteligentes de informação, permitindo que profissionais de todas as áreas dialoguem com dados sem precisar dominá-los tecnicamente. A interface conversacional, citada por Cappra, transformou a capacidade humana de interpretação: “todos nós nos tornamos analistas de dados”, ainda que muitos nunca tenham aberto uma planilha. Isso ressignifica não apenas o trabalho, mas a própria identidade profissional.
Viviane trouxe a perspectiva ética e humana desse avanço. Para ela, o risco não está na tecnologia em si, mas no uso irrefletido da superinteligência, que pode facilmente ultrapassar nossos limites pessoais e profissionais. O desafio, segundo ela, é garantir que a IA seja um recurso de melhora, não um substituto da nossa capacidade crítica. Ao compartilhar o exemplo de uma criança de 11 anos penalizada por usar IA em atividades escolares, Viviane levantou uma provocação importante: estamos ensinando as novas gerações a usar tecnologia de forma criativa ou estamos reforçando modelos ultrapassados de aprendizagem?
Ambos concordaram que a relação entre IA e trabalho passa por um processo inevitável de ressignificação. O que chamamos de “trabalho” está mudando, não apenas pelas tarefas delegadas à IA, mas pela redefinição do valor que atribuímos ao ato de pensar, decidir, criar e até descansar. A rapidez dessa transformação, como destacou Cappra, causa desconforto, mas também abre espaço para um novo entendimento do que significa ser humano em um ambiente mediado por sistemas inteligentes.
Viviane encerrou com uma reflexão essencial para este novo ciclo tecnológico: voltar às essências, entender nossos limites e reconhecer que a tecnologia só faz sentido quando potencializa nossa humanidade. Aprender, reaprender e posicionar a IA como parte e não centro da experiência humana talvez seja o verdadeiro diferencial das empresas e profissionais que prosperarão no futuro próximo.
Soberania em IA: disputa invisível que vai redesenhar os negócios

O segundo painel da INSI no AI Day avançou para um dos temas mais sensíveis e estratégicos da transformação digital contemporânea: a soberania em inteligência artificial. ==Mais do que uma disputa geopolítica, soberania significa compreender onde os dados residem, quem os governa, como circulam entre sistemas e, principalmente, com que velocidade são transformados em decisões==. Nesse debate, Ricardo Saravalli, Gerente Executivo de Digital da INSI, trouxe uma visão pragmática, madura e profundamente conectada à realidade das empresas brasileiras.
Segundo ele, a soberania em IA não se limita ao uso de grandes modelos ou à adoção acelerada de ferramentas generativas. O ponto de partida está sempre no negócio. ==Antes da tecnologia, vem a clareza sobre a dor, o impacto esperado e o valor que a IA pode de fato gerar==. É nessa perspectiva que Saravalli reforçou a importância do letramento em IA, não apenas para times técnicos, mas para todas as áreas da organização. Sem entender como a IA funciona, onde ela se aplica, seus limites e seus riscos, as empresas tendem a investir em soluções desconectadas da estratégia, criando mais complexidade do que resultado.
Essa alfabetização é justamente o que permite que as áreas saibam diferenciar casos de uso reais de iniciativas impulsionadas pelo hype. Ela também dá aos colaboradores a capacidade de avaliar riscos, evitar o uso descontrolado de ferramentas externas e combater o fenômeno da shadow AI, quando dados internos circulam em plataformas não homologadas, fragilizando soberania, segurança e compliance.
Saravalli destacou que soberania também passa por decisões de arquitetura. Infraestruturas híbridas, combinando nuvem, on-premises, borda, tornam-se essenciais para lidar com dados sensíveis, baixa latência, requisitos regulatórios e modelos específicos por setor ou idioma. Em um país como o Brasil, onde nuances culturais, linguísticas e operacionais influenciam processos críticos, modelos treinados localmente reforçam não apenas eficiência, mas autonomia tecnológica.
Outro ponto estrutural é a governança. Para Saravalli, não há projeto de IA sustentável sem clareza sobre qualidade de dados, padrões de entrada, guardrails de segurança, mecanismos de auditoria e transparência sobre onde e como a informação é processada. A qualidade do input define a qualidade do output. Prompts bem construídos, dados confiáveis e arquitetura bem definida são fatores tão importantes quanto o modelo em si.
Durante o painel, ficou evidente que o ==avanço da IA está pressionando empresas a revisarem suas métricas e até os seus modelos de negócio==. Indicadores tradicionais, como tempo médio de atendimento ou volume de tickets por analista, já não refletem a realidade de operações híbridas entre humanos e agentes de IA. ==O que passa a importar é a resolução do problema, a experiência entregue e o valor gerado no fim do fluxo==. Essa mudança de racional abre espaço para modelos baseados em resultado, e não apenas em licenças ou capacidade operacional.
Saravalli também reforçou que o impacto da IA nos empregos não deve ser visto como substituição, mas como redistribuição. ==Quando a tecnologia resolve tarefas repetitivas e previsíveis, os profissionais podem concentrar sua energia em casos críticos, complexos e de maior valor para o negócio==. O futuro das operações será híbrido, e a vantagem competitiva estará em saber equilibrar quando usar IA, quando usar humanos e quando combinar os dois.
Por fim, o painel convergiu para um consenso: soberania em IA não é uma camada isolada, mas o resultado da integração entre negócio, tecnologia, governança, cultura e capacitação contínua. É um ecossistema vivo, que exige decisões responsáveis, estruturas flexíveis e evolução permanente. Para Saravalli, ==esse é o caminho para que a IA gere impacto real, com autonomia, segurança e propósito, dentro das organizações brasileiras.==
Inteligência Artificial e o novo papel do CIO

No terceiro painel do AI Day, INSI e Gartner discutiram como a inteligência artificial está transformando o papel do CIO e ampliando a responsabilidade das lideranças de tecnologia na geração de valor. A conversa entre Roberto Certo, Chief Revenue Officer da INSI, e Vinicius Assis, Business Director do Gartner, destacou que a adoção de IA exige uma mudança estrutural na forma como as organizações aprendem, decidem e evoluem.
Um dos pontos centrais foi a necessidade de letramento em IA em toda a empresa. Assim como ressaltado por Saravalli no painel anterior, Roberto reforça que a maturidade em IA não começa pela escolha da tecnologia, mas pela capacidade das pessoas de entenderem o que ela pode e não fazer. O CIO tem papel fundamental nessa jornada: traduzir o potencial da IA para os objetivos do negócio, criar padrões de uso responsáveis e escalar esse entendimento para todas as áreas, formando uma cultura que sustenta a inovação.
Essa relação entre humano e IA levou Roberto a reforçar um ponto essencial: o futuro não é sobre substituir profissionais, mas sobre redefinir competências. A IA acelera o aprendizado, transforma juniors em plenos mais rapidamente e libera especialistas para atuarem como curadores, estrategistas e capturadores de oportunidade. A tecnologia aumenta a capacidade de análise, mas continua limitada naquilo que mais importa para a competitividade: ==interpretar contexto, perceber nuances, identificar alavancas e conectar sinais fracos que ainda não se materializaram em dados.==
A partir dessa perspectiva, o novo CIO precisa combinar governança, estratégia e educação. Ele se torna responsável por integrar agentes inteligentes aos processos, garantir qualidade de dados, estabelecer guardrails de segurança e preparar a organização para operar em ambientes cada vez mais automatizados. Ao mesmo tempo, deve estimular uma cultura em que a IA complementa o trabalho humano, liberando tempo para a criação de valor e decisões mais profundas.
O painel concluiu que a liderança tecnológica assume agora uma função de alto impacto cultural: ==desenvolver pessoas, orientar a adoção de IA e garantir que a tecnologia esteja a serviço do negócio==. Quando essa base é construída, a IA deixa de ser uma promessa e passa a ser um motor real de transformação.
Masterclasses INSI: aprendizados práticos sobre IA aplicada aos negócios

As quatro masterclasses conduzidas pela INSI durante o AI Day mostraram, de forma objetiva e complementar, como a inteligência artificial pode gerar valor real quando conectada a dados confiáveis, método e um olhar pragmático para o negócio.
Identificação de oportunidades em IA Mariana Couto, Delivery Manager da INSI, e Ricardo Saravalli, Gerente Executivo de Digital da INSI, reforçaram que a IA só gera impacto quando aplicada a dores reais. O caminho começa por dados confiáveis, um discovery bem-feito e uma evolução incremental por casos de uso, evitando grandes reconstruções que consomem tempo e não entregam valor. Modernizar dados, validar hipóteses e provar valor em ondas pequenas reduz risco e acelera resultados.
Desenvolvimento aumentado por IA Saravalli, Gerente Executivo de Digital da INSI, também mostrou como a IA está transformando o ciclo de desenvolvimento. Quando tratada como parceira e não como ameaça, ela acelera entregas, amplia a capacidade técnica e ajuda a elevar a qualidade do código. Desenvolvedores passam a dialogar com a IA sobre arquitetura, testes e alternativas, enquanto diferentes modelos validam e refinam soluções entre si.
Modernização como motor de valor Eric Monteiro, Gerente Executivo de Digital da INSI, destacou que modernizar legados é romper limitações históricas sem interromper a operação. A INSI adota uma abordagem modular, provando valor em etapas, reduzindo riscos e criando bases tecnológicas preparadas para agentes inteligentes, alta performance e experiências mais fluidas. Modernizar é evoluir a plataforma para que o negócio siga avançando.
Plataformas multiagentes e o futuro da automação Jefferson Cardoso, Gerente Executivo de Tecnologia e Inovação da INSI, mostrou como sistemas multiagentes tendem a se tornar o “smartphone” da próxima década. Com dados estruturados e conectividade entre agentes, líderes poderão conversar com seus dados, acelerar análises e tomar decisões mais informadas. A tecnologia é apenas o meio: o valor nasce de dados sólidos, boa arquitetura e cultura preparada para explorar novas formas de automação.
Juntas, as masterclasses reforçaram a visão da INSI: ==IA aplicada não começa na tecnologia, mas no entendimento profundo do negócio, na qualidade dos dados e na capacidade de evoluir sistemas e pessoas para um ambiente orientado por inteligência.==